O DIU é um método contraceptivo de longa duração, em formato de T, inserido no útero para prevenir a gravidez. A inserção é um procedimento relativamente simples. Com a paciente em posição ginecológica, o médico realiza a assepsia da região para reduzir o risco de infecções e, em seguida, avalia o colo do útero, além de medir a profundidade e a direção da cavidade uterina com um histerômetro.
Após essa avaliação, o DIU é inserido. Na maioria dos casos, o procedimento é realizado sem anestesia, embora ela possa ser indicada em situações específicas, conforme avaliação médica.
Informações técnicas e científicas sobre o procedimento estão sistematizadas e são difundidas em uma série de documentos, trazendo evidências atualizadas para orientar tanto usuárias quanto equipes de saúde.
Saber sobre estes pontos antes da inserção faz toda a diferença, pois as pacientes chegam mais seguras ao consultório, os profissionais conduzem o procedimento com mais tranquilidade e os resultados em termos de adesão e satisfação são melhores.
Sumário
ToggleQuais os erros mais comuns na inserção do DIU e como evitá-los?
Os erros na inserção do DIU geralmente estão relacionados à negligência de etapas técnicas essenciais ou à falta de preparo adequado. Conhecê-los é fundamental para um procedimento seguro:
- Não discutir o controle da dor com a paciente é um problema, já que a inserção pode ser dolorosa e causar desconforto. É preciso oferecer opções para reduzir a dor durante o procedimento.
- Pular etapas como o exame bimanual e a histerometria pode resultar em um DIU mal posicionado. Determinar a posição do útero e medir o comprimento da cavidade antes da inserção é fundamental.
- Inserir o DIU em uma paciente com infecção ativa é um erro grave que pode piorar a condição da paciente. Trate a infecção primeiro e só então realize o procedimento.
- Não verificar a posição do DIU após a inserção é um dos grandes erros e deixar de confirmar se o DIU está no lugar certo pode levar a complicações como expulsão ou perfuração.
- A falta de rigor na assepsia pode aumentar o risco de infecção, por isso é necessário utilizar sempre uma técnica estéril durante a inserção.
Todo DIU é igual?
Não, os DIUs não são todos iguais. Existem dois tipos principais: o de cobre (não hormonal) e o hormonal (à base de levonorgestrel). Eles se diferenciam principalmente pelo mecanismo de ação, pelos efeitos colaterais e pelo tempo de duração.
O DIU de cobre atua liberando íons que interferem no movimento dos espermatozoides e na fecundação dos óvulos, com eficácia superior a 99%. Já o DIU hormonal libera uma pequena quantidade de levonorgestrel, que espessa o muco cervical, inibe os espermatozoides e afina a mucosa uterina.
O que diferencia um DIU do outro?
A principal diferença prática entre eles está nos efeitos colaterais e nas indicações. Enquanto o DIU de cobre tende a aumentar o fluxo menstrual e as cólicas, os DIUs hormonais geralmente reduzem o sangramento, podendo causar amenorreia (ausência de menstruação) em muitas usuárias.
Abaixo, uma lista com as principais diferenças:
DIU de Cobre (não hormonal):
- Mecanismo de ação: liberação de íons de cobre com ação inflamatória e efeito espermicida.
- Duração: eficaz por 10 a 12 anos.
- Efeitos: aumenta o fluxo menstrual e as cólicas.
- Indicação: mulheres com ciclo regular e pouco fluxo.
DIU Hormonal:
- Mecanismo de ação: libera progesterona, que espessa o muco cervical e inibe os espermatozoides.
- Duração: eficaz por 3 a 8 anos, dependendo do dispositivo.
- Efeitos: reduz o fluxo menstrual; pode causar amenorreia.
- Indicação: mulheres com fluxo intenso ou cólicas fortes (dismenorreia).
Ambos os tipos são altamente eficazes e a escolha do melhor dispositivo deve ser individualizada e conjunta entre profissional de saúde e a mulher.
Como manejar a dor e a ansiedade da paciente antes e durante a inserção?
- Antes da inserção: É fundamental realizar todas as orientações e esclarecer as dúvidas da paciente. A informação é uma ferramenta poderosa para reduzir a ansiedade.
- Durante a inserção: Existem várias estratégias para minimizar o desconforto. O procedimento geralmente dura apenas alguns minutos, e algumas mulheres sentem cólicas ou desconforto, mas medicamentos podem ser usados para facilitar a inserção.
É muito importante conversar abertamente com a paciente, explicar cada etapa do procedimento e oferecer as opções de analgesia disponíveis.
Como garantir mais segurança e conforto na inserção do DIU?
A escolha do dispositivo certo e de um sistema de inserção bem projetado faz toda a diferença na experiência da paciente e na segurança do procedimento. O DIU QuickLoad Injeflex, da Kolplast, por exemplo, foi desenvolvido para atender exatamente a essa necessidade.
Apresentado devidamente acomodado no próprio elemento de inserção, ele permite mais agilidade e, sobretudo, segurança, por reduzir ou evitar completamente a manipulação do instrumento antes da inserção.
Suas dimensões discretamente menores também propiciam menor desconforto para a paciente.
Sangramento após a inserção do DIU é normal?
O sangramento após a inserção do DIU de cobre tem uma explicação fisiológica clara: o dispositivo aumenta o fluxo menstrual, especialmente nos primeiros meses, e pode provocar cólicas. Isso ocorre porque o cobre provoca mudanças no endométrio pela liberação de íons na cavidade uterina, levando a uma ação inflamatória que é tóxica para os espermatozoides, mas também pode intensificar o sangramento.
O que é considerado normal, portanto, é o aumento do fluxo menstrual e a presença de cólicas mais intensas nos primeiros ciclos. Esses efeitos colaterais, embora incômodos, tendem a diminuir após cerca de 3 meses de uso.
Por outro lado, alguns sinais exigem investigação imediata. Sangramento muito intenso (profuso), com coágulos grandes, ou que não melhora com o tempo, pode indicar uma complicação. Outros sinais de alerta incluem sangramento acompanhado de dor abdominal forte e contínua, febre ou secreção vaginal com mau cheiro:
| Tipo de Sangramento | O que pode indicar? | Conduta recomendada |
| Aumento do fluxo menstrual e cólicas nos primeiros 3 meses | Resposta fisiológica normal ao DIU de cobre | Orientação e acompanhamento; uso de AINEs para cólicas, se necessário |
| Sangramento irregular (spotting) nos primeiros meses | Adaptação do endométrio ao dispositivo | Orientação e acompanhamento |
| Sangramento profuso com coágulos grandes | Possível complicação, como intolerância ao método | Avaliação médica imediata |
| Sangramento com dor intensa, febre ou secreção com mau cheiro | Possível infecção ou outra complicação | Avaliação e tratamento médico urgentes |
Como identificar e agir diante de uma expulsão ou perfuração uterina?
- Expulsão: É a saída parcial ou total do DIU da cavidade uterina. É mais comum nos primeiros meses após a inserção.
- Como identificar: a paciente pode relatar dor abdominal, sangramento anormal ou a percepção do próprio DIU na vagina. A confirmação é feita através de exame físico e ultrassonografia.
- Como agir: se a expulsão for parcial, o DIU deve ser removido. Em caso de expulsão completa, uma nova inserção pode ser considerada após avaliação das condições uterinas.
- Perfuração uterina: É a passagem do DIU através da parede do útero. É um evento ainda mais raro.
- Como identificar: pode ser assintomática ou manifestar-se por dor intensa, sangramento anormal e, em casos mais graves, sintomas de abdome agudo. A ausência dos fios do DIU durante o exame ginecológico é um sinal de alerta importante.
- Como agir: a confirmação diagnóstica geralmente requer ultrassonografia. A remoção do DIU é mandatória em casos de perfuração. Em situações mais complexas, pode ser necessária intervenção cirúrgica.
É importante ressaltar que esses riscos não devem afastar as mulheres do uso do DIU, que continua sendo um dos métodos mais seguros e eficazes disponíveis.
Por que a esterilização por raio gama importa para o DIU?
A esterilização por raio gama é um processo que utiliza radiação ionizante, para eliminar todas as formas de vida microbiana. É um dos métodos mais eficazes e amplamente utilizados na indústria para garantir a segurança de produtos médicos.
Para o DIU, isso significa que o dispositivo já chega ao profissional de saúde completamente estéril, pronto para uso. A grande vantagem desse método é a sua capacidade de penetração, que permite a esterilização do produto já em sua embalagem final.
Isso é crucial para a segurança da paciente por dois motivos principais:
- Garantia de esterilidade: assegura que o DIU esteja livre de qualquer microrganismo, eliminando o risco de contaminação e infecção no momento da inserção.
- Manutenção da esterilidade: a embalagem especial utilizada mantém o produto estéril por longos períodos, o que facilita o armazenamento e a logística.
A esterilização por raio gama é um padrão de qualidade e segurança fundamental para os DIUs disponíveis no mercado.
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Referências:
1 – Disponível em: Principais Questões sobre Inserção do DIU de cobre
2 – Disponível em: Principais Questões sobre DIU de Cobre x DIU Hormonal: diferenças e indicações
3 – Disponível em: DIU de cobre — Ministério da Saúde
4 – Disponível em: Dispositifs intra-utérins (DIU)
5 – Disponível em: IPEN/CNEN-SP usa tecnologia nuclear para apoiar ações de combate à pandemia da Covid-19
6 – Disponível em: Tudo sobre o DIU: quanto custa e outras dúvidas – Portal Drauzio Varella






