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Qual o impacto do estresse e da dor no tratamento de feridas?

estresse e dor no tratamento de feridas

Você já pensou no impacto da dor em pacientes com feridas? Assim como microclima, produção de exsudato, posição e outros, a dor também deve ser uma preocupação durante o tratamento de lesões e reduzir a sua presença precisa ser uma das prioridades durante o cuidado. Evidências sugerem que quando o paciente tem uma ferida dolorosa, o tempo de cicatrização aumenta, onerando os serviços de saúde e prejudicando a qualidade de vida do indivíduo. Portanto, a aplicação de coberturas e diretrizes que minimizem esse problema é imprescindível. Continue lendo o artigo e entenda mais sobre a repercussão da dor durante o tratamento de feridas!

O que é a dor?

Não é exagerado afirmar que todo e qualquer paciente que possua uma ferida, independentemente de sua etiologia, sofre com algum grau de dor. 

De acordo com o psicólogo Dominic Upton, a dor “viaja da ferida através dos portões da dor na medula espinhal até o cérebro, onde ela é identificada, processada e uma resposta é emitida. Essa resposta pode diminuir ou aumentar a dor, dependendo das variações de diferentes áreas do cérebro e estímulos periféricos.”

A dor envolve fatores biológicos, psicológicos e sociais e os seus níveis variam de acordo com o trauma individual de cada pessoa. Portanto, ter um maior entendimento sobre o que é a dor, seus mecanismos e sua influência no tratamento de feridas é necessário para que seja possível melhorar a eficiência dos tratamentos e a qualidade de vida dos pacientes.

Considerando tais fatores, é preciso que os profissionais da saúde sempre considerem o aspecto dor durante o tratamento de feridas, aplicando diretrizes atualizadas e que visem garantir que o tratamento seja efetivo e diminua a dor do paciente. Para tanto, é fundamental conhecer os principais fatores que podem aumentar o nível de dor durante a cicatrização, entre eles, podemos citar:

  • Escolha do curativo inadequado;
  • Desbridamento acentuado de tecido desvitalizado;
  • Falta de cuidados e delicadeza durante o procedimento de limpeza da ferida e troca de curativos.

Essa dor a qual os pacientes estão sujeitos tem um grande impacto negativo em suas vidas e pode causar ou intensificar outro grande obstáculo no tratamento de indivíduos com feridas: o estresse. 

O que é o estresse?

Como apontado, além de causar desconforto e sofrimento diário ao paciente, a dor está diretamente ligada com outro problema grave, de origem psicológica, que causa grandes impactos durante o tratamento: o estresse.

Definir o que é o estresse e o que exatamente o causa ainda é um desafio para os estudiosos da mente e do corpo humano, contudo, convencionalmente entendemos que, quando uma pessoa afirma que está “estressada”, ela pode estar passando por situações não convencionais que a trazem desconforto, períodos prolongados com excesso de tarefas e atividades e, enfim, qualquer tipo de cenário que cause a ela falta de conforto e mal-estar emocional.

De acordo com os psiquiatras Thomas Holmes e Richard Rahe, criadores da famosa Social Readjustment Rating Scale (uma ferramenta que ajuda a medir o estresse e identificar os eventos causadores desse problema), o estresse pode ser descrito como a consequência de eventos com impacto negativo vividos por um indivíduo e que, quanto maiores e mais recorrentes tais eventos, maior será a extensão do estresse da pessoa. De acordo com eles, eventos estressantes podem ter diferentes naturezas:

  • Estressores crônicos: como por exemplo, passar por doenças crônicas e feridas crônicas (de longo prazo) ou, até mesmo, cuidar de indivíduos com tais problemas.
  • Estressores agudos: como por exemplo, ser internado em um hospital ou precisar ir até uma instituição de saúde para receber atendimento médico.
  • Estressores diários: como por exemplo, ter dificuldades ou inacessibilidade para chegar até o hospital e precisar passar por um tratamento e usar medicamentos.
  • Eventos da vida: como por exemplo, perder um parente ou pessoa querida ou precisar passar por uma cirurgia.

Nesse sentido, muitos estudos sobre a relação entre dor, estresse e a demora na cicatrização foram conduzidos e, de acordo com a literatura, o estresse está associado com atrasos na cicatrização em pacientes mais velhos, especialmente os acometidos por lesões nos membros inferiores.

Comprovando tal perspectiva, um estudo que examinou o impacto do acompanhamento emocional em pacientes que possuíam feridas de biópsia separou os indivíduos em dois grupos: um de controle, que foi instruído a escrever sobre gerenciamento de tempo, e outro que foi instruído a escrever sobre uma experiência triste ou traumática que tiverem em suas vidas, bem como pensamentos e sentimentos que eles nunca haviam compartilhado com outras pessoas antes. Posteriormente, verificou-se que os pacientes que passaram pela intervenção emocional e foram incentivados a compartilharem suas histórias já tinham feridas muito menores nos primeiros 14 e 21 dias de cicatrização quando comparados com o grupo de controle.

Assim, tal estudo reforça a relação existente entre estresse e cicatrização das feridas, além de trazer à tona a importância da adoção de medidas que visem diminuir o estresse do paciente durante o tratamento.

Qual é a relação entre o estado psicológico do indivíduo e a cicatrização de feridas?

Por fim, outra relação primordial que deve ser levada em consideração para o tratamento de feridas é a associação entre dor e estresse. Dominic Upton afirma que “a dor aumenta quando um indivíduo está estressado, ansioso ou deprimido, pois o portão da dor se abre ainda mais e, assim, maior é a dor sentida; e o inverso também acontece: se o paciente estiver feliz e calmo o portão se fechará e a dor será menor”. Assim, é possível observar que em pacientes onde os níveis de ansiedade e depressão são maiores, a cicatrização é mais lenta, e em contrapartida, os níveis de ansiedade e depressão aumentam com a dor da ferida. Isso significa que a dor leva ao aumento do estresse, o que acaba dificultando a cicatrização.

Em adição a esse problema, foi verificado por Soon e Acton, em 2006, que o estresse pode ser induzido pela espera de uma troca de curativo – principalmente se o paciente teve uma experiência negativa anteriormente -, reduzindo a tolerância à dor no momento da troca e aumentando a ansiedade.

Portanto, tendo em vista todos os fatores citados, para que o tratamento seja bem-sucedido, a cicatrização ocorra normalmente e o paciente recupere sua qualidade de vida, é crucial aplicar medidas que visem reduzir a dor e o estresse!

REFERÊNCIA:

Psycological Impact of Pain in Patients with Wounds – Edited by Dominic Upton


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